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O mal da pornografia


Atualmente um mal que assola pessoas de todas as idades principalmente os adolescentes é a pornografia e masturbação, o contato com essas práticas tornou-se tão comum com o advento das mídias sociais, que nós não nos damos conta do quão nocivo é este tipo de prática, não somente para o nosso corpo, mas também para a nossa mente.

Para entendermos os efeitos nocivos da pornografia, primeiro temos que entender como funciona uma substância chamada dopamina. A dopamina desempenha importantes funções no organismo, a primeira delas é a sensação de prazer. No decorrer de circunstâncias agradáveis, a dopamina é liberada, desencadeando impulsos nervosos, que levam a uma sensação de prazer e  bem-estar. Alimentos saborosos, sexo, jogos e drogas são alguns exemplos de situações que estimulam a ação da dopamina, ela também esta ligada a via mesolímbica (Área do cérebro responsável pela recompensa), a liberação de dopamina nessa área do cérebro regula o sentimento de incentivo (isto é, motivação e desejo). Por exemplo, quando você se sai bem em uma prova, você se sente muito bem, isso é devido ao sentimento de recompensa pelo trabalho árduo de estudos que culminaram no seu resultado positivo na prova, Essa é uma ação da dopamina atuando no sentimento de recompensa.

Tendo em vista os efeitos que a dopamina exerce em nosso corpo, vamos nos atentar aos reflexos negativos que o abuso dessa substância nos traz. As atividades que praticamos ao longo do dia liberam diferentes níveis de dopamina em nosso cérebro, por exemplo, o nível de dopamina liberada durante o ato de comer é diferente do nível de dopamina de uma relação sexual. Quando praticamos demasiadamente algum ato que gera grande liberação de dopamina em nosso cérebro causamos o vício, o vício é gerado pois os neuroreceptores de dopamina tornam-se dessensibilizados devido sua estimulação excessiva, ou seja, diante disso o cérebro percebe que há um estímulo anormal e para se "proteger" fecha alguns neuroreceptores, necessitando de cargas mais intensas de dopamina para uma nova sensação de prazer.

O problema é que o cérebro pode ser "enganado", quando nos masturbarmos ou consumimos pornografia damos uma falsa impressão ao cérebro de que estamos nos reproduzindo, assim, ativando a via de recompensa, com efeito liberando uma grande quantidade de  dopamina em nosso cérebro. Contudo, há uma grande diferença entre essas práticas de outras práticas que geram liberação de dopamina, é que nessas duas práticas você não obteve esforço algum para gerar todo esse prazer. O cérebro foi condicionado a "gostar" essencialmente de duas práticas para a manutenibilidade do nosso corpo, são elas: sentir prazer e evitar a dor. Quando masturbamos-nos ou consumimos pornografia nós fazemos o que o cérebro mais ambiciona e tudo isso sem nenhum esforço.

Se descobriu através de tomografias computadorizadas que o cérebro humano diante ao excesso de estímulos pornográficos reage da mesma forma que o cérebro de um drogado:

"[...] Quando são usadas substâncias viciantes, elas dão ao cérebro um “sinal falso”. Como o cérebro não consegue distinguir entre as drogas e uma recompensa real e saudável, ele ativa o centro de recompensas.  [...] Com o passar do tempo, níveis excessivos de substâncias químicas de “prazer” fazem com que o cérebro do consumidor de pornografia desenvolva tolerância, assim como o cérebro de um usuário de drogas.  Da mesma forma que um viciado eventualmente requer mais e mais drogas para se sentir bem, os consumidores regulares de pornografia acabarão recorrendo ao pornô com mais frequência ou buscando versões mais extremas para sentirem prazer novamente." [1]

Além do vício, as práticas pornográficas podem causar lesões cerebrais:

"A descarga de neurotransmissores no cérebro no caso da prática da masturbação e da pornografia, é correspondente à que ocorre no uso de drogas como a cocaína. 
[...] Diante, então, da descarga exagerada destas substâncias, o cérebro pode se esgotar, os circuitos cerebrais podem apresentar defeitos, e surgem sintomas na vida da pessoa, como irritabilidade, ansiedade, dores/espasmos musculares, insônia, depressão. Por quê? Porque ao fechar os receptores do próximo neurônio, na cadeia eletroquímica cerebral, o cérebro faz um esforço para tentar se recuperar das consequências da violação das leis da saúde." [2] 

Contudo, o nosso cérebro possuí uma capacidade chamada neuroplasticidade, em que consiste:

"Na capacidade de mudança e reorganização dos neurônios de acordo com mudanças ambientais, experimentais, sociais, físicas e lesões mais graves. [...] O processo contínuo de mudança cerebral, de “reorganização” dos circuitos neurais, e da recepção de novas atitudes ou pensamentos, é o que se chama neuroplasticidade." [3]

Através dessa característica do nosso cérebro o viciado poderá se libertar dessas práticas.  No entanto, para que isso aconteça a pessoa tem que:


  • Saber que essas práticas são maléficas; 
  • Reconhecer-se viciado; 
  • Buscar mudança. 


Não existe um método "Terapêutico" sistemático para tratar esse vício, mas sim a total abstenção do consumo de pornografia. A cura depende primordialmente de dois fatores, que são o tempo de exposição e a quantidade de práticas diárias. Como qualquer tipo de droga, ao cessar o consumo de pornografia o usuário irá entrar em um período de abstinência, onde o mesmo sentirá grande vontade de consumir esses materiais novamente, mas, a pessoa deve-se manter firme em seu propósito. Na internet existem diversos grupos de pessoas que perceberam os malefícios da pornografia e visam a libertação desse vício contribuindo com a comunidade em geral, através de relatos, vídeos e conteúdos.



Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dopamina
https://www.infoescola.com/bioquimica/dopamina/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Via_mesol%C3%ADmbica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Neuroplasticidade
https://minutosaudavel.com.br/neuroplasticidade/
https://fightthenewdrug.org/how-porn-affects-the-brain-like-a-drug/
http://doutorcesar.com.br/pornografia-masturbacao-e-lesao-cerebral/

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