Dar rosas a quem nos dá espinhos talvez seja uma das coisas mais difíceis a se fazer, do mesmo modo que amar nossos inimigos é.
O nosso ser grita a todo momento por "dar espinhos a quem nos dá espinhos"; nos vingar e martirizar a quem nos feriu, nos magoou, nos prejudicou.
Interiormente sabemos que não é certo, que Deus não se agrada, que não faz bem a ninguém, mas muitas vezes deixamos o ódio e o rancor falarem mais alto. É uma luta, uma batalha incessante, que tentamos de toda forma vencer, batalha esta que é travada contra nós mesmos, contra nossos demônios interiores.
Uma ferida em nossa alma é difícil de ser curada, é como uma flecha que perfura nosso orgulho e atinge nosso ego. É doloroso, principalmente para os mais orgulhosos.
E é ai que tudo se torna um campo de batalhas. Uma luta é travada entre pessoas - machucadas cada uma a seu modo - que buscam amenizar a dor ferindo e derrubando a outros. É um jogo de quem dá mais espinhos (palavras) afiados.
É nesse momento que devem entrar as virtudes da caridade, da temperança, da paciência, da humildade e da generosidade. Essas virtudes devem ser como um freio, pois não sabemos até onde alguém pode ir para se sentir-se superior - ou para ferir mais o outro do que ele lhe feriu. Essas virtudes devem lhe ajudar a formar uma rosa, uma bela rosa, onde cada gesto de carinho ou de autocontrole que você exerce, faz com que uma bela pétala se forme - é como construir uma morada no céu - e no final, tudo o que você fez, por estar tentando amar aquela pessoa, e por ter feito tudo - talvez - por amor a Deus, formará um caule, sem espinhos. Essa rosa deverá ser entregue a alguém que você feriu, e talvez terá o poder de curar suas feridas, pois foi feita com amor.
Sim... talvez pense que são rodeios demais, coisas impossíveis e desnecessárias de se fazer, mas sabemos que com a ajuda de Deus, tudo podemos.
Talvez você se pergunte “qual a necessidade disso tudo”? E eu lhe respondo “qual a necessidade de tanto rancor, ou de tanto orgulho e ódio”? Acaso achas bom e confortável uma batalha, uma guerra travada para a destruição dos sentimentos alheios? Sabemos que não agrada ninguém, e não passa de um mecanismo de autodefesa e de destruição alheia.
Talvez essa rosa que devemos dar a quem nos dá espinhos seja apenas um perdão, um simples perdão, ou ações que demostrem amor.
Não sabemos como aquela pessoa foi educada, por quais dificuldades ela está passando, e o que ela sente, se não há empatia, não há perdão, não há modos de dar rosas ás pessoas. É um belo exercício a se fazer; quando a vontade de ferir alguém que lhe feriu vier, peça a Deus paciência, se controle, com toda certeza Ele irá lhe ouvir.
"Encontrar Deus em todas as coisas é ver que todas as coisas vem do alto"
-Santo Inácio de Loyola

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